04/10/2017 às 06:17h
Empresário colabora com investigação e desembargador manda soltá-lo

Karine Miranda/GD


O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Orlando Perri, determinou a soltura do empresário José Marilson da Silva, preso por supostamente ter desenvolvido o sistema que permitiu o esquema de escutas clandestinas no âmbito da Polícia Militar.

Marilson é ex-sócio da empresa Simples IP Internet e estava preso desde o último dia 27 em decorrência da Operação Esdras, da Policia Civil. Além dele, o desembargador Perri determinou a prisão de outros sete envolvidos no esquema dos grampos, além de 15 mandados de busca e apreensão e uma condução coercitiva.


Otmar de Oliveira

Perri determina soltura de empresário após ele colaborar com investigação dos grampos

A soltura de Marilson atendeu um pedido da delegada da Polícia Civil, Ana Cristina Feldner, responsável pelo inquérito dos grampos ilegais no âmbito do TJ. Isto porque o empresário tem colaborado com as investigações do esquema que teria vitimado centenas de pessoas entre políticos, jornalistas e membros do Judiciário.

Marilson é acusado de ser o responsável pelo desenvolvimento do Sistema Sentinela, adquirido pelo ex-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, e utilizado pelo Núcleo de Inteligência da PM para a prática de interceptações telefônicas clandestinas.

Além disso, Marilson teria retirado o rack do Sistema Sentinela, que gravou todas as ligações interceptadas. O paradeiro do aparelho, até o presente momento, é desconhecido e há fortes de que a parafernália esteja sob sua responsabilidade.

“Não bastassem tais fatos, a autoridade policial relatou que há indícios de que José Marilson da Silva tem frequentado a Secretaria de Estado de Segurança Pública, o que corrobora sua provável ligação com o grupo criminoso”, diz trecho da decisão que levou Marilson à prisão.

No entanto, conforme Perri, os indícios da participação de Marilson modificaram-se com o “seguro e convincente depoimento” prestado pelo empresário à polícia.

“Se, antes, sua prisão se patenteava imprescindível, sobretudo para que situações até então nebulosas fossem esclarecidas, em especial, quem foi o responsável pela retirada do rack do Sistema Sentinela da empresa Titânia Telecom, agora, tal indispensabilidade não se revela mais necessária, uma vez que, de acordo com as autoridades policiais, tais dúvidas foram sanadas, aduzindo que José Marilson vem contribuindo de maneira satisfatória para o bom êxito das investigações”, diz trecho da decisão.

No lugar da prisão preventiva, Perri determinou a adoção de medidas cautelares a fim de evitar que o empresário volte “a embaraçar a investigação criminal, com a criação de álibis falsos no intuito de desviar o foco das investigações”.

Foi determinado que o empresário está proibido de manter qualquer tipo de contato com testemunhas, réus ou com outros investigados, incluindo ex-secretários, bem como de acessar ou frequentar órgãos públicos atuantes na área de inteligência.

Além disso, Marilson fica proibido de ausentar-se de Cuiabá e do País, devendo entregar seu passaporte e comunicar à autoridade judiciária eventual mudança de endereço.

Apesar da soltura, Perri destacou ainda que nada impede nova prisão do empresário caso o depoimento prestado não se confirme. “Por óbvio que tal conclusão poderá ser novamente modificada, caso advenham aos autos novos elementos a evidenciar que o suspeito José Marilson da Silva esteja faltando com a verdade, ou omitindo informações relevantes para o deslinde das investigações”, diz trecho da decisão.

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