01/11/2019 às 05:51h
Detentas gestantes ganham chá de bebê especial
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Thalyta Amaral

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

A um dia do nascimento do filho,

 Mariana* está ansiosa. Não sabe como 

será o parto, mas de uma coisa tem

 certeza: estará sozinha, sem o apoio da 

família. Seria uma situação incomum se 

ela não fosse uma das reeducandas da 

Penitenciária Ana Maria do Couto May, 

em Cuiabá. Para elas, o parto é um 

momento solitário e cheio de incertezas.

 

Na quinta-feira (31) ela viveu um momento 

diferente da rotina na penitenciária. Um grupo de mulheres de uma igreja evangélica realizou um chá de

 bebê, com direito à sessão de fotos para as 6 grávidas da unidade. Em meio às maquiagens e às fotos, 

por alguns minutos elas puderam esquecer a realidade vivida atrás das grades.


 

Em Mato Grosso, são 7 unidades penais femininas, duas delas - Cuiabá e Nortelândia - possuem uma

 ala separada para gestantes e lactantes. Nesse raio, elas ficam em espaços mais arejados e próximos

 ao posto de enfermagem. Em caso de emergência, elas são as primeiras a serem socorridas.

 

Para as mães, a dúvida é sempre sobre o tempo que passarão com os filhos recém-nascidos na unidade. 

Apesar de uma resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) permitir a prisão domiciliar das gestantes,

 poucas conseguem esse benefício por causa da burocracia e lentidão com que os processos andam.

 

A esperança é de que na próxima semana - ou mês - recebam a sonhada liberdade e possam ir para casa 

e ter o bebê com calma e apoio da família.

 

"A gente tenta não pensar nisso, viver um dia de cada vez. Fica esperando que saia o andamento do 

processo. Para não ter o bebê estando aqui. Porque é muito sofrido, ninguém quer passar por isso", 

contou Meire, que está grávida de 6 meses.

 

Chico Ferreira

Presa com bebê

 

O dia de festa alivia por alguns minutos a tensão 

das mães. Mas quando chega a hora do parto, a 

tristeza é grande. Há 9 dias Carolina* teve o filho

 Mariano*. O bebê sofre com o calor, não consegue 

dormir bem e troca o dia pela noite. No quarto 

junto com outras 6 mulheres, ela conta com a

 ajuda das colegas para poder passar pelo período 

de resguardo.

 

"É muito difícil. Todas me ajudam, lavam as roupas

 do neném. Sem elas eu não conseguiria ficar de 

resguardo. Sou do interior, elas me ajudam, 

as famílias entram em contato com a minha para mandar as coisas que estão faltando", conta Carolina.

 

Apesar das dificuldades enfrentadas na penitenciária em Cuiabá, ela afirma que ainda é muito

 melhor do que a rotina na Cadeia Feminina de Nortelândia, onde os bebês não tinham nem mesmo 

um berço.

 

"Lá não é apropriado para um bebê. Quando me trouxeram para cá, falei que não iria sair até ter 

o meu bebê. O ruim é ficar longe da família, mas eles não vêm por falta de condições, porque é caro

 vir para Cuiabá. Minha mãe prefere enviar as coisas para me ajudar e acaba não vindo me ver. 

É difícil, mas não tem outro jeito", lamenta a mãe.

 

*Nomes das detentas foram trocadas para preservar a identidade delas.

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